DESMISTIFICANDO A CIDADE PORTENHA

1a dica – Reservando o Hotel

Pode parecer propaganda, mas não é. Decolar.com foi nossa salvação.

Até 2 semanas antes da viagem, estávamos sem documentação dos meninos. Não tínhamos hotel, nada. Só as passagens que compramos 1 ano antes. Conseguir vôo é mais difícil mesmo. Mas quando estas agências vêm com o papo “reserve hotel 1 ano antes”, não leve tão à risca. Nas agências, até pode ser, se for fato que eles possuem um número limitado de quartos.

Mas no site da decolar, conseguimos o hotel 1 semana antes, pôde parcelar nos cartões em até 10x sem juros (coisa que nenhum hotel cotado aceitou), e ainda lemos os comentários de quem se hospedou. Enfim, tudo de bom. Compra sem surpresas, o voucher do hotel chegou certinho e 24h antes.Como sou meio desconfiada, contatei diretamente o hotel e confirmei nossa reserva sem problemas.

http://aspensuites.com.ar/

hotel    aspensuite

2a dica – Pagamentos

pesosargentinosNão conte apenas com cartão de crédito. Para nossa surpresa, muitos estabelecimentos simplesmente diziam que estavam sem sistema. Ninguém quer carregar muito dinheiro consigo hoje em dia, certo? Mas muitos restaurantes em Puerto Madero (caríssimos, por sinal) só aceitavam cash. Idem parques como o Museu das Crianças, ou até mesmo o Mc Donalds (esse último, foi em Tigre). Logo que chegamos, na Rua Florida, o restaurante disse que no cartão, sairia muito mais caro (quase 100 pesos a mais), os valores anunciados com destaque na fachada valeria apenas “em efectivo”.

Tivemos receio de entrar nas casas de câmbio das ruas. Mas a melhor dica é essa (que por sinal lemos em muitos blogs): compre pesos lá, no Banco de la Nación. Tem uma sede bem no aeroporto, depois de passar pela Imigração, antes de sair da sala de desembarque.

3a dica – Tomadas e Roamingtomada

Voltagem 220V. Ok, isso a gnt lê. Mas e as tomadas? Tivemos que comprar 3 adaptadores lá na cidade (para carregar cel, notebook e máquina).

Também é caro fazer  chamadas do hotel ou locais pelo cel. O melhor é comprar um plano de roaming direto com a operadora. Pode precisar para ligar para estabelecimentos da cidade ou até em emergências.

4a dica – Clima

No carnaval, o sol é abominavelmente forte.  Protetor fps 50, no mínimo. Boné nas crianças e, bem, a água tem um sabor meio esquisito mesmo. Então, refrescos e gaseosas (refrigerantes) foi o que nos manteve sem sede.

Ahhh!! Se conseguir comprar bebidas no mercado, economizará bastante. A água de 3 a 5 pesos no Carrefour, não sai por menos de 16 pesos nos estabelecimentos comerciais o.O

5a dica – Idiomasehablaespanhol

Quem não tem qualquer conhecimento de espanhol, sugerimos algumas leituras básicas de conversação. Não contaria apenas que os idiomas são similares. Os argentinos falam bem rápido e, pelo menos no nosso caso, a maioria não teve tanta paciência com turista brasileiro. Já morei 2 anos no Equador, isso tem tempo. Estava um pouco enferrujada, ok. Mas mesmo assim, mantive contato no idioma deles e, ocasionalmente, não os entendia (mi marido tampoco)

Ex: vc está perdido na rua, gps do celular nao funciona e, assim, decide perguntar por determinado ponto: o “simpático” hermano responde (com extrema má vontade, por sinal)“todo lo derecho, todo lo derecho” e te dá as costas. O que supõe? Siga para direita? Não! Isso significa “Siga em frente”!

6a dica –  Táxis

Tinha lido horrores sobre os taxistas. Bem, nos deparamos com taxistas bem tranqüilos. Os mais idosos se mostraram mais pacientes. Sempre pegamos táxi na rua mesmo, mas os de cooperativa (com sinal de rádio em cima). Um deles nos ensinou a diferenciar a nota de 50 da falsa para a verdadeira. Outro nos alertou sobre o Caminito, que era bem perigoso. Enfim, andar com notas trocadas, ser bem objetivo quanto ao destino e falar o menos possível dentro do táxi. Acho que é a dica, o infalível bom senso.

Realmente, acredito que a maioria das corridas tenham sido um pouco mais longas do que o necessário, mas nunca ultrapassou 5 a 10 pesos de diferença. Relevemos, vai 😉

7a dica – Pesquise os Passeios

pesquiseprecos Somos uma família de 4. Então, o passeio mais simples, x4, já sai caro. Por isso, conforme as crianças  foram crescendo (e passaram a ser cobradas que nem adultos) passamos a investigar ainda mais as opções de fazer um passeio.

Exemplo 1

No hotel, o show de tango estava sendo cobrado a U$95 (95 dólares por pessoa! – só o show ¬¬) Gastar 400 dólares para 2h de espetáculo? Salgado, hein.

Navegando rapidamente na web, vimos que o El Querandí era bem cotado, entre os mais elogiados. No site deles, é possível comprar com 10% de desconto se for online, mais 10% de desc. caso opte por assistir na 2af ou 3af, e mais 10% de for comprado com 20 dias de antecedência. Planejando, é possível conseguir 30% de desconto direto pelo site da Casa de Tango.

Ah sim..o valor no site era metade do valor que queriam nos vender no hotel! U$55. Das crianças, só cobraram uma taxa de U$10 de cada. E, ainda, reservamos o transfer, sem custo adicional, que nos buscou e nos deixou no hotel.

É possível comprar só o show, ou o show+janta. A Casa de Tango cobra um absurdo pela janta. Compramos apenas o show, mas o vinho e o prato de entrada ficaram inclusos.

No final, ficou 4x mais barato.

Obs: Fiquem de olho! As fotos que eles tiram como se fosse cortesia da casa custa 80 pesos. E se vc pagou pelo pacote básico e eles dizem que outras coisas estão incluídas, desconfiem. O garçom me ofereceu soda e água para os garotos, dizendo que estava incluso. No final, veio a conta. Não é nem pelo valor, mas pela falta de transparência. O jeitinho portenho de te dar a volta x/

Exemplo 2

O passeio ao Teimaken (um parque ecológico muito lindo a 50 km de Buenos Aires) custava R$ 180,00 por pessoa (isso mesmo..mais 400 pesos) na agência de passeios (na Galerias Pacífico).

Vamos às contas: o ingresso ao parque custava $ 106 (pesos argentinos). Há um frescão que deixa na porta do parque, e sai da Plaza Itália(Palermo). $20 (pesos) ida e volta. Portanto: $126 pesos por pessoa. Em torno de R$ 72,00…e não R$ 180,00 como a agência cobra! O.o

Obs: os metrôs são tranqüilos. Custa menos de 3 pesos e tem uma estação na Plaza Itália.

8a dica – Compras

Quando viajamos, a cotação era de R$ 0,40 por 1 peso. Isso aqui no Brasil.

Moeda valorizada, país em crise, vamos fazer a festa comprando?sale

Ao nosso ver, não mesmo!

Cidade muito cara.

O poder aquisitivo dos argentinos ainda assim é maior.

Principalmente nos principais bairros e pontos turísticos da cidade. Tem tanto brasileiro que os preços já devem ser voltados para nós mesmos.

Se peneirar muito, de repente é possível comprar bem…mas na conjuntura que encontramos, o melhor foi focar no turismo, em turistar o máximo possível. Para compras em si, muito melhor são as febres de shopping cariocas =)

9a dica – Gastronomia

Que as carnes argentinas são um sucesso, todo mundo está cansado de ler.

Mas pelo que entendi, não há aquele hábito de guarnições. O que se pede é 1 carne + 1 guarnição (geralmente batata).

Não encontrei também uma gastronomia rica em saladas e frutas (talvez pelo próprio sistema produtor do país, quem sabe?). Os buffets em si que conhecemos..achei fraco =/

No café da manhã, senti falta daquele pão francês e do bolo da vovó. Não agüentava mais aquele croissant oleoso (medialuna). Estava achando que era por conta do hotel, então fomos tomar o café da manhã (desayuno) na famosa livraria El Ateneo. E o que seria? Café e croissant!

desayuno

Nenhuma pizza chegou aos pés da Parmê =P

Os alfajores são uma delícia mesmo…E nem precisa ser do Havana. Pode ser aquele simples do mercado.

Mas acima de tudo,  certamente esta foi a minha experiência. Continuo achando a cozinha brasileira muita mais variada, apesar de perder para as carnes deles. Mas foi apenas 1 viagem, em restaurantes pontuais. Quem sabe eu retorne outras vezes, e possa fazer uma errata a respeito? ;]

10a dica – Transporte urbano

Moramos no Rio. Então, o que conhecemos são metrôs superlotados, ônibus que quebram, passam por assaltos, caos nas vias públicas. Filas enormes para entrar e para sair. Táxis caríssimos.

subbte

Quem sai desse cenário, chega em Buenos Aires e se depara com outra realidade. Nunca entramos no metrô daqui com nossos filhos. Lá, fomos de Palermo a Recoleta em 5min através de metrô (não é moderno, ok. Mas é seguro, e não cheio). O frescão para outra província (para o Teimaken) foi tranquilíssimo. Pegamos o trem para Tigre (tren de la costa) sem qualquer problema. E os táxis são baratos. As corridas variavam entre 20 (corridas curtas) a 40 pesos (corridas mais longas). Ou seja, não passa de R$ 20,00. Por isso, dispensamos o ônibus turístico e estivemos sempre a pé (principalmente pela proximidade dos bairros)

 

11a dica – Vale a pena!

Sempre escutei que os argentinos são arrogantes e antipáticos.

Ok, tive minhas desavenças. Não são os mais amáveis da América. Mas também encontramos pessoas super gentis.

No avião, a caminho, li um guia de um casal brasileiro narrando a experiência Argentina. É um país cuja história foi bem diferente da nossa, por exemplo. Enquanto nascemos da luta pela abolição – veia africana de luta e superação – de uma sociedade escravocrata, eles se ergueram a partir da imigração italiana. Uma civilização com a cultura diferente, com outros hábitos. Apreciam arte, traços mais eruditos, até a forma de se expressar é mais polida. Uma cidade limpa, organizada, calma. Não vi tumultos, discussões. No Tigre, que seria a “praia fluvial” deles, nenhuma “farofada” sequer. Não havia nem tanto barulho, por incrível que pareça. Mal vi mendigos. As pessoas são bonitas e elegantes.

Ficamos 6 dias na cidade e nos pareceu suficiente.

Excetuando os passeios que saíam da província (Tigre e Teimaken), não saímos muito do eixo Centro-Recoleta-Palermo. San Telmo é, bem a grosso modo, a Lapa deles. Puerto Madero é o circuito de restaurantes da área portuária . Não arriscamos conhecer o Caminito, apenas o estádio do Boca (seguro e muito organizado).

buenos-aires-querido  Eu gostei do Tango =D

Crianças têm boas opções.!

É uma experiência que vale a pena. Os brasileiros estão cada vez mais presentes. Entende-se o porquê.

Júlia Soares

Júlia Soares

Sou redatora especializada em turismo e lazer. Decidi unir minhas paixões com a minha profissão, o que me trouxe até aqui: um portal completo e dinâmico com as principais cidades para se fazer turismo =)
Júlia Soares
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  • Alexandre

    Oi! Desculpe, eu procurei seu nome, mas não encontrei.
    Encontrei seu blog porque vou a BsAs no Carnaval deste ano e queria saber como é a cidade nesta época. Como já fui duas vezes, dá para contribuir um pouco nas dicas.
    Primeiro, você fez muito bem em confirmar a reserva do hotel. Sei de casos péssimos (uma conhecida, inclusive, que chegou no aeroporto e descobriu que a passagem tinha sido cancelada)com a Decolar. Aliás, confirmar diretamente nunca é demais.
    Quanto ao dinheiro, todo mundo já sabe que a economia argentina está em crise e que a inflação é galopante. Vale levar dindim e trocar no câmbio paralelo (é só pesquisar que se encontra pessoas e lugares). Com as restrições, as importações ficaram mais difíceis e o preço subiu, mas alguns produtos argentinos valem a pena. Cartão de crédito e débito não são uma boa nesse momento, ainda mais com o aumento do IOF. E, como você disse, muitos estabelecimentos não estão aceitando.
    Para se comunicar com o Brasil, não acho que o roaming valha a pena. Hotéis e restaurantes têm bom wi fi e os locutórios fazem ligações por um preço quase irrisório. Já em relação à gastronomia, nenhum café da manhã do mundo pode ser comparado ao brasileiro. Pão francês é uma coisa inventada aqui. Realmente o clássico de lá é a medialuna, mas há várias padarias pela cidade e os iogurtes são ótimos. Os sucos são mais ou menos, mesmo.
    Mesmo com a inflação nas alturas, o transporte e os restaurantes continuam acessíveis e dá para comer muito bem gastando pouco.
    Acho que é isso. Vale dizer também para não bobear e tomar os mesmos cuidados que se teria no Brasil.

    Buenos Aires é uma cidade para várias viagens. Se for com as crianças, leve-as ao museu interativo Prohibido No Tocar, que fica ao lado do cemitério. E ainda tem muito canto legal na cidade!

    Abraço!

    PS: Fez bem em ir ao Teimaken. Não só porque o Lujan tem uma infra-estrutura mais ou menos, mas porque crianças pequenas não podem entrar nas jaulas, e acho que o passeio ficaria sem graça sem isso.
    E, pessoalmente, acho que vocês não perderam nada ao não irem ao Caminito.

    Guía Óleo de restaurantes para a próxima visita: guiaoleo.com.ar

    • Júlia

      Oi, Alexandre! Meu nome é Júlia, muito obrigada pelo comentário.
      Com certeza, você trouxe dicas valiosas!
      Quando voltarmos a fazer uma viagem internacional, realmente podemos reconsiderar a questão do roaming..e esse guia de restaurantes que vc indicou realmente é muito bacana!
      Uma ótima viagem e seja sempre bem vindo ao nosso blog =)